Exército do Egito depõe islamita Morsi e anuncia suspensão da Constituição

O chefe do Exército do Egito, o ministro da Defesa Abdul Fattah al-Sissi, anunciou nesta quarta-feira (3/07) a queda do presidente islamita Mohammed Morsi, informando que ele será substituído pelo chefe da Suprema Corte Constitucional, Adly Mansour, de 68 anos, e que a Constituição de viés islâmico foi suspensa .

Em um discurso televisionado pela rede estatal, o general Sissi disse que um governo tecnocrata será formado para administrar o país durante um período de transição, que ele não especificou, até a realização de novas eleições.
Em uma declaração no Twitter, Morsi caracterizou o anúncio do Exército como um golpe militar e pediu que todos os cidadãos, civis ou militares, respeitem a Constituição e a lei. Ele também pediu que todos os egípcios "evitem um banho de sangue". Ayman Ali, um assessor do presidente deposto, disse que o ex-presidente foi transferido para uma localização não especificada. Ele não deu mais detalhes.

Gehad El-Haddad, porta-voz da Irmandade Muçulmana, de Morsi, disse no Twitter que o Egito entrou "em outro ciclo de golpe militar". "A população do Egito terá de engolir isso novamente", afirmou.

Em seu pronunciamento, o general Sissi afirmou que as decisões foram tomadas após encontros com vários representantes da sociedade civil e após Morsi ter resistido ao ultimato dado na segunda-feira que o conclamava a resolver a crise com a oposição.

"O discurso do presidente na noite de ontem (terça) foi contrário às aspirações e as demandas populacionais. Isso forçou as Forças Armadas a consultar algumas figuras nacionais - políticas, religiosas e a juventude -, e aqueles que compareceram a esses encontros concordaram com um plano político que construirá uma sociedade egípcia forte e unida."

Pela segunda vez em dois anos e meio de tumultos políticos, o poderoso Exército se posicionou para retirar um líder do poder. Mas, dessa vez, depôs um presidente eleito democraticamente , o primeiro na história do Egito. A deposição aconteceu depois de ter expirado às 17 horas locais (12 horas em Brasília) o prazo de 48 horas dado a Morsi para resolver a crise política.
"O Exército vê que a população egípcia pede seu apoio, não assuma o poder ou governo, mas que sirva ao interesse público e proteja a revolução", acrescentou o general em referência à deposição do presidente autocrata Hosni Mubarak em fevereiro de 2011, após 18 dias de protestos em massa. "Essa é a mensagem que as Forças Armadas receberam de todas as esquinas do Egito."


Gritos de alegria surgiram entre os milhões de manifestantes que saíram às ruas desde a semana passada para reivindicar a queda de Morsi, que no domingo completou um ano no poder. Fogos de artifício clarearam o céu noturno da capital, Cairo. Em outros locais, partidários de Morsi gritaram: "Não ao governo militar!"

A eleição livre de um presidente era uma das aspirações da revolta contra Mubarak em 2011. Mas os opositores de Morsi acusavam o ex-presidente e a Irmandade Muçulmana de monopolizar o poder e tentar implantar um regime de características islâmicas.

Antes do anúncio do Exército, os partidários Morsi haviam prometido que resistiriam ao que chamam de golpe contra a democracia. Ao menos 39 pessoas morreram em confrontos no país desde domingo, aumentando temores de que possa haver um banho de sangue. 

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